(755 palavras)
Era uma vez um rei que governava um reino e tinha três filhos: 2 gémeos e um adoptivo. A ex-rainha tinha morrido no parto dos gémeos. E quanto ao filho adoptivo, era órfão de pai e mãe. A Mãe fora uma mulher pouco ligeira de costumes e o pai tivera sido um cortesão muito estimado do rei. Daí o mesmo ter tido o bom senso de acolher o moço e dar continuação à boa educação dos pais.
Aos três filhos foi dada a melhor educação. Não havendo facilidades para o herdeiro do trono (que era o gémeo mais velho), pois governar não era tarefa fácil.
O jovem príncipe mostrava ser um apaixonado pelos livros e bastante curioso.
Todos os mestres o elogiavam pelas suas aptidões, exclusive os mestres de esgrima, o de equitação e o de dança.
Mostrando assim ser mais dado às tarefas mentais do que físicas.
Por esse tempo, o velho rei fez um trato de amizade com o rei vizinho, contra o qual tinha travado vários anos de guerra. Nesse tratado, ficou assente que a princesa desse tal reino vizinho, que era feia, triste e cega de um olho, se casaria com o príncipe herdeiro ao trono.
O príncipe mostrava-se indiferente ao que se passava. E um dia, deu-se em fechar na sua câmara, dizendo-se que andava a escrever um grande livro.
A pedido do rei, um dos seus mestres aconselhou-o a não abusar do seu amor pelos livros e a espairecer mais, devendo-se inteirar o príncipe pelos acontecimentos do seu futuro reino.
Nesse mesmo dia, após se terem repetido os conselhos na mesa da sala de jantar, o príncipe levantou-se e respondeu: «O meu reino não é deste mundo», frase esta que lera num livro de sua mãe.
Deixando assim, todos os presentes atónitos.
No dia seguinte, o príncipe apareceu morto, nu e virgem e com o grande livro que acabara de escrever nessa noite sobre si. Tinha-se envenenado com flores perigosas que havia na estufa.
Foi uma morte muito chorada.
A noiva do morto meteu-se monja, que segundo o ex-futuro cunhado «Era o que tinha de fazer!».
O mesmo começou então a ser preparado para reinar.
Mostrando um grande contraste com o seu falecido irmão, pois não se debruçava sobre os livros como se estes fossem seios, mas comprometia várias raparigas. Sendo então caracterizado por arrebatador, aventureiro, marcado pela sua viveza e dado ao povo e aos mais pobres.
Também já ao contrário de seu irmão este era mais dado às tarefas físicas do que mentais.
Por esse tempo, o rei, já velho, decidiu jurar seu filho herdeiro do trono.
Mas durante as cerimónias o príncipe mostrou-se demasiado excêntrico e com atitudes pouco dignas do seu futuro cargo. Foi chamado à atenção, mas mostrou-se irónico e desinteressado.
À noite, ao jantar, após várias indirectas o mesmo ergueu-se e respondeu: «O meu reino é deste mundo», não tendo lido isto em nenhum livro.
E no dia seguinte o príncipe herdeiro tinha desaparecido do palácio, tendo fugido numa carroça de saltimbancos nómadas, como se veio mais tarde a saber.
Após o sucedido, o rei consternado cai de cama, lamentando o seu azar e o do seu reino, que tanto tempo se empenhara por governar e que agora ambos os filhos naturais se recusavam a fazê-lo.
Neste desconsolo, sobra-lhe o filho adoptivo que lhe faz companhia e lhe proporciona boas conversas, mostrando a boa educação que tivera recebido.
Agora excluídos os herdeiros legítimos ao trono, havia vários pretendentes que disputavam entre si esse mesmo cargo. Querendo estes também excluir o filho adoptivo que a seus olhos seduzia o rei. Assim, procuravam desacreditá-lo no espírito do rei, sendo eles próprios afastados. Ficando assim os mesmo espumando de raiva do moço e jurando vingança.
O rei mostrava assim estar apenas doente fisicamente mas não mentalmente.
Num final de tarde, o rei mandara reunir os importantes da corte.
E diante de todos o rei disse: «Tive dois filhos legítimos, que um após o outro sonhei que me sucedessem. O reino dum não era deste mundo. O do outro era-o por demais. Tu, qual é o teu reino?». E após um silêncio o moço respondeu «Que reino pode ser o meu que não o vosso?»
Entre emoções, o rei jura o filho, secretamente mais amado, herdeiro do trono.
E assim se disse assim se fez e de nada valeram as conspirações dos outrora pretendentes.
Com a satisfação de ter um digno sucessor para o seu reino, o velho rei restabeleceu-se e ainda pode viver alguns anos.
Aos três filhos foi dada a melhor educação. Não havendo facilidades para o herdeiro do trono (que era o gémeo mais velho), pois governar não era tarefa fácil.
O jovem príncipe mostrava ser um apaixonado pelos livros e bastante curioso.
Todos os mestres o elogiavam pelas suas aptidões, exclusive os mestres de esgrima, o de equitação e o de dança.
Mostrando assim ser mais dado às tarefas mentais do que físicas.
Por esse tempo, o velho rei fez um trato de amizade com o rei vizinho, contra o qual tinha travado vários anos de guerra. Nesse tratado, ficou assente que a princesa desse tal reino vizinho, que era feia, triste e cega de um olho, se casaria com o príncipe herdeiro ao trono.
O príncipe mostrava-se indiferente ao que se passava. E um dia, deu-se em fechar na sua câmara, dizendo-se que andava a escrever um grande livro.
A pedido do rei, um dos seus mestres aconselhou-o a não abusar do seu amor pelos livros e a espairecer mais, devendo-se inteirar o príncipe pelos acontecimentos do seu futuro reino.
Nesse mesmo dia, após se terem repetido os conselhos na mesa da sala de jantar, o príncipe levantou-se e respondeu: «O meu reino não é deste mundo», frase esta que lera num livro de sua mãe.
Deixando assim, todos os presentes atónitos.
No dia seguinte, o príncipe apareceu morto, nu e virgem e com o grande livro que acabara de escrever nessa noite sobre si. Tinha-se envenenado com flores perigosas que havia na estufa.
Foi uma morte muito chorada.
A noiva do morto meteu-se monja, que segundo o ex-futuro cunhado «Era o que tinha de fazer!».
O mesmo começou então a ser preparado para reinar.
Mostrando um grande contraste com o seu falecido irmão, pois não se debruçava sobre os livros como se estes fossem seios, mas comprometia várias raparigas. Sendo então caracterizado por arrebatador, aventureiro, marcado pela sua viveza e dado ao povo e aos mais pobres.
Também já ao contrário de seu irmão este era mais dado às tarefas físicas do que mentais.
Por esse tempo, o rei, já velho, decidiu jurar seu filho herdeiro do trono.
Mas durante as cerimónias o príncipe mostrou-se demasiado excêntrico e com atitudes pouco dignas do seu futuro cargo. Foi chamado à atenção, mas mostrou-se irónico e desinteressado.
À noite, ao jantar, após várias indirectas o mesmo ergueu-se e respondeu: «O meu reino é deste mundo», não tendo lido isto em nenhum livro.
E no dia seguinte o príncipe herdeiro tinha desaparecido do palácio, tendo fugido numa carroça de saltimbancos nómadas, como se veio mais tarde a saber.
Após o sucedido, o rei consternado cai de cama, lamentando o seu azar e o do seu reino, que tanto tempo se empenhara por governar e que agora ambos os filhos naturais se recusavam a fazê-lo.
Neste desconsolo, sobra-lhe o filho adoptivo que lhe faz companhia e lhe proporciona boas conversas, mostrando a boa educação que tivera recebido.
Agora excluídos os herdeiros legítimos ao trono, havia vários pretendentes que disputavam entre si esse mesmo cargo. Querendo estes também excluir o filho adoptivo que a seus olhos seduzia o rei. Assim, procuravam desacreditá-lo no espírito do rei, sendo eles próprios afastados. Ficando assim os mesmo espumando de raiva do moço e jurando vingança.
O rei mostrava assim estar apenas doente fisicamente mas não mentalmente.
Num final de tarde, o rei mandara reunir os importantes da corte.
E diante de todos o rei disse: «Tive dois filhos legítimos, que um após o outro sonhei que me sucedessem. O reino dum não era deste mundo. O do outro era-o por demais. Tu, qual é o teu reino?». E após um silêncio o moço respondeu «Que reino pode ser o meu que não o vosso?»
Entre emoções, o rei jura o filho, secretamente mais amado, herdeiro do trono.
E assim se disse assim se fez e de nada valeram as conspirações dos outrora pretendentes.
Com a satisfação de ter um digno sucessor para o seu reino, o velho rei restabeleceu-se e ainda pode viver alguns anos.
José Régio
Há Mais Mundos
Brasília Ed, 3.1 ed, Port, 1973
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