gritos !

Morram estas palavras que nascem forçadas neste papel amachucado de lágrimas, suor, raiva e frustação. São palavras sem sentido, tão sem sentido !
Palavras que gritam os gritos do silêncio que teimou em me preencher. E que domina um interior virado do avesso .
- Onde estou eu afinal ?
Abafaram-me a voz e perdi a inspiração. E como tal perdi-me também.
Fartei-me.
- Estou cansada!
Este cansaço é terrível e amortece aos poucos a alma, levando consigo qualquer ilusão que alimento.
Revolto-me com o nada !
Sinto falta de um porto de abrigo ? ( E a quem eu posso reclamar isso ? ), é essencial eu sei, mas mais alguém compreende isso ?
Um porto de abrigo que me ajude a gritar todo esse meu silêncio.
Sim, porque maioria das pessoas fazem do silêncio o seu grito mas eu QUERO gritá-lo em vez de silenciá-lo!
É tanto o desespero pela espera, que facilmente se saboreia o sarcasmo que teima em nos saciar.
Perco-me então por causa de um tudo que adormeceu, e parece não ter hora prevista para acordar !
Mas que sou eu afinal ? Uma marioneta do tempo ?
Tenho um cansaço extremo a apoderar-se do meu corpo e a minha essência adormeceu também!
Tudo dorme perante uma teimosa esperança . E eu desejo adormecer também!


E agora, quem sou eu para mim ? Apenas uma sensação minha.

Tábua Cronológica de Jorge Amado

" Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo. Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos, e esse é o ideal que levam no coração de lama."

Anos

Biografia

Bibliografia


 

1912

Nasce a 10 de Agosto, em Ferradas, distrito de Itabuna, na Baía.

 


 


 


 

1922

Os pais de Jorge Amado enviam-no para Salvador da Baía, como interno do colégio António Vieira, denominado por Jesuítas. Cria o jornal A Luneta e o distribui entre parentes e amigos.

 


 


 

1927

Publica poemas na revista A Luva. Consegue o primeiro emprego, como repórter do Diário da Baía.

 


 

1930

Muda-se para o Rio, conclui o liceu e inicia o curso na Faculdade de Direito.

 

1931

 

Estreia-se com o romance O País do Carnaval.

1933

Casa-se com Matilde Garcia Rosa.

Publica um novo livro, Cacau (romance).

1934

 

Suor, romance


 

1935

Conclui a formatura em direito, por insistência dos pais.

Jubiabá, romance


 

1936

É preso em consequência de sua militância comunista.

Mar morto, romance


 


 

1937

Implantada a ditadura do Estado Novo, seus livros são qualificados de subversivos e queimados nas ruas em Salvador.

Publica Capitães da Areia, com grande sucesso.

1938

 

A estrada do mar, poesia.


 


 

1941

Exila-se na Argentina e começa a escrever a biografia romanceada de Luiz Carlos Prestes (O Cavaleiro da Esperança).

ABC de Castro Alves, biografia


 

1945

Já vivendo com Zélia Gattai, é eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro.

 

1942

 

O cavaleiro da esperança, biografia

1943

 

Terras do Sem-Fim, romance

1944

 

São Jorge dos Ilhéus, romance

1945

 

Bahia de Todos os Santos, guia

1946

Fixa residência no Rio.

Seara Vermelha, romance

1947

 

O amor do soldado, teatro


 


 


 

1948

Como todos os deputados comunistas, tem o mandato suspendido. Vai morar em Paris (França), depois em Praga (Checoslováquia) e passa por Moscovo.

 

1951

Recebe, em Moscovo, o Prémio Internacional Stálin.

O mundo da paz, viagens

1952

Volta ao Brasil.

 

1954

 

Os subterrâneos da liberdade, romance

1955

Abandona a militância política no PCB.

 


 


 

1958

Recebe cinco Prémios pelo romance publicado neste ano.

Publica o romance Gabriela, Cravo e Canela, que logo se transforma em sucesso no país e no Exterior.


 


 

1961

É eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras.

- A morte a morte de Quincas Berro d'Água, romance

- Os velhos marinheiros ou o capitão de longo curso, romance

1963

Fixa residência em Salvador.

 

1964

 

Os pastores da noite, romance

1966

 

Dona Flor e os Seus Dois Maridos, romance


 


 

1967

A União Brasileira de Escritores formaliza a indicação do escritor para o Prémio Nobel de Literatura.

 

1969

 

Tenda dos milagres, romance


 


 

1970

Lidera, ao lado do romancista gaúcho Erico Verissimo, movimento contra a censura prévia aos livros.

 


 

1971

Passa seis meses na Universidade da Pensilvânia como autor convidado.

 

1972

 

Teresa Batista cansada de guerra, romance

1975

A TV Globo realiza a novela Gabriela com Sónia Braga no principal papel.

 

1976

 

O gato Malhado e a andorinha Sinhá, história infanto-juvenil

1977

 

Tieta do Agreste, romance

1978

Casa-se oficialmente com a escritora Zélia Gattai.

 


 

1979

 

- Farda, fardão, camisola de dormir, romance;

- Do recente milagre dos pássaros, contos.

1982

 

O menino grapiúna, memórias


 


 

1983

Recebe do então presidente François Mitterrand a Legião de Honra, a mais alta comenda do governo da França.

 


 

1984

 

- A bola e o goleiro, literatura infantil;

- Tocaia grande, romance


 

1987

É inaugurada a Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador, concebida para divulgar sua obra.

 

1988

 

O sumiço da santa, romance

1992

 

Navegação de cabotagem, memórias

1994

 

A descoberta da América pelos turcos, romance

1997

 

O milagre dos pássaros, fábula

2001

Falece em 6 Agosto, em Salvador.

 

        


 


 

E ali estava ela, naquele Inverno modorrento.
Esse Inverno que havia semanas, morto eterno e havia outras, solitário desperto.
Inverno esse que durante o dia teimava ser vagabundo de rua e durante a noite um manequim da morte.
Era um tempo vazio como um corpo sem alma. Onde por aqui e acolá espreitava a paciência num ali impaciente, muitas vezes perdido como um barco sem rumo, como uma noite sem alvorada!
Lá estava ela, cansada de ver esses míseros jovens pachorrentos a deambolar diariamente frente à sua janela.
Os rapazes, quão nada faziam, olhavam-na despresadamente, enquanto que as raparigas ironicamente a ignoravam, passeando. Eram garotos que apenas se limitavam a amortecer uma infância, à muito acabada!
Enquanto que já os pais, outrora vivaços se dividiam agora em: mulheres anuladas e homens esfomeados de uma vida!
Tudo o tempo anulou perante ela !

mas no meio de tudo, ainda sonho acordada!

E choro!
Choro sensibilizada vendo o amor dos outros, frágil com a falta do meu! Choro assim, essa carência que me atormenta.
Sinto? Não sinto? Sente? Não sente? Caio assim na interrogação, após falas e olhares. Olhares de procura que em nada me saceiam. Pois é fome isso o que sinto! Fome de amar e ser amada. E como sem amor não há nada, assim me anulo!
Perco-me no tempo, na saudade e na ânsia. Ânsia de um futuro nunca antes desejado.
Já não sinto, já não faço, já não vivo!
Sobrevivo! Pesada, num tudo cheia de nada.
Fui assim enterrada viva!
E alma?
É, agora, um fantasma da esperança que me assombra.

E choro!
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